Comecei a rotina entrando no ônibus em direção ao trabalho. Pelo caminho muitas faces surgiram, algumas sonolentas, outras fechadas, outras risonhas. Sigo o caminho para encontrar as faces que já conheço há algum tempo... algumas mudadas pelo humor matinal, algumas melhoradas por uma boa base de maquiagem e outras tantas que não há retoque que dê jeito.
O dia segue e checo os e-mails, no popup do msn surge uma mensagem deixada por um amigo querido na noite anterior... é um link para um artigo. Penso um pouco, clico e me surpreendo como um texto pode ser tão perfeitamente ajustado à minha realidade. Esse meu querido me conhece até quando eu não quero me mostrar, e isso é terrivelmente desconcertante, mas é bom, é belo, é revelador.
Às vezes recebemos mensagens e não damos importância a elas, recebemos afeto e não damos importância, recebemos a dádiva da vida, da tentativa e não aproveitamos cada segundo até que chega um momento em que bate o desespero e olhando ao redor não há nada em que se sustentar.
Daí começa a virada de jogo e quando você tem uma boa base de autoconhecimento passa por isso meio que cambaleando, mas quando não é o caso segue-se aos tropeços ou às quedas. E você de um jeito ou de outro, aprende.
Aprende que no seu mundo colorido do seu jeito faltam alguns elementos vitais que você mesmo desperdiçou.
Aprende que quando está no fundo do poço o único que pode decidir realmente se quer permanecer lá é você, e mais ninguém. E que se essa força não vier de dentro, não há amigo, anjo, chuchu louro ou soulmate que resolva... o fundo do poço será o fim da sua história.
Aprende que é preciso dar um passo para trás para dar um salto adiante. Isso se chama impulso. E no meio desse caminho você aprenderá que o ato de cair te dá a chance de perceber que é forte o bastante para levantar e seguir em frente.
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